Uma em cada cinco pessoas assassinadas na cidade de São Paulo em 2010 foi morta por um policial militar (fonte: FOLHA). A polícia, a mando do Governo do Estado, usou um contingente de 1800 homens armados, com helicópteros e tudo, para expulsar trabalhadores pobres, idosos, mulheres e crianças de um terreno abandonado em Pinheirinho, S. J. dos Campos. A mesma polícia trata dependentes químicos sem-teto com cacetadas e bombas de gás no centro da Capital. A mesma polícia aponta suas armas contra estudantes dispostos a lutar por um ensino superior público e ideologicamente independente. A mesma polícia que foi criada na Ditadura Militar, mas que persevera.

Em São Paulo não se pode protestar contra nada. Se você é um professor da rede pública e protesta, “você é um vagabundo”. Se você é um estudante da rede pública e protesta, “você é um maconheiro”. Se você perdeu sua casa, sua família e sua saúde para as drogas, “você deveria desaparecer, esfumaçar-se convenientemente, pois você é lixo”. Se você não tem onde morar e há um terreno ou um prédio abandonado há décadas ao seu lado, “você é um arruaceiro” se acha que pode simplesmente dizer “sou brasileiro, esta terra também é minha”.

Agora, se você é branco, cristão (católico de preferência), tem dinheiro e terras (e um passaporte europeu) — então sinta-se em casa! São Paulo é sua. Desfrute dessa cidade maravilhosa, bastião da diversidade cultural. Só não se esqueça de votar direito, comprar um carro, seguir a moda, obeceder as leis e os policiais — defensores máximos da justiça.

São Paulo tornou-se o primeiro estado fascista do século XXI. E um dos mais didáticos exemplos de como funciona na prática uma Ditadura de Mercado.

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